Analytica: Revista de Psicanálise
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<p><strong>Linha editorial</strong></p> <p style="text-align: justify;">A <em>Analytica: Revista de Psicanálise</em> tem como finalidade publicar investigações/desenvolvimentos teóricos, relatos de pesquisa, debates, entrevistas e resenhas que contenham análises, críticas e reflexões sobre temas, fatos e questões a partir do referencial psicanalítico. Publica também artigos voltados à interlocução entre a psicanálise e outros campos de saberes - como a filosofia e as ciências sociais - igualmente dedicados ao pensamento sobre a sociedade e a cultura. As propostas para publicação devem ser originais, não tendo sido publicadas em qualquer outro veículo do país. Publicam-se artigos em quatro línguas: português, espanhol, inglês e francês.</p> <p><strong>Editorial line </strong></p> <p>The <em>Analytica: Revista de Psican´álise</em> goals to publish research / theoretical developments, research reports, debates, interviews and reviews that contain analyzes, critiques and reflections on issues, events and issues from psychoanalysis. It also publishes articles focused on the dialogue between psychoanalysis and other fields of knowledge, such as philosophy and social sciences, also dedicated to thinking about society and culture. Proposals for publication must be original and has not been published in any other vehicle in the country. Articles are published in four languages: portuguese, spanish, english and french.</p> <p><img src="http://periodicos.ufsj.edu.br/public/site/images/lepidus/mceclip0-1fe643dba5f2f9afa27a6d46aec02ce3.jpg" alt="" width="640" height="599" /></p>UFSJpt-BRAnalytica: Revista de Psicanálise2316-5197Além do determinismo tecnológico: corpo e subjetividade na era digital
http://www.seer.ufsj.edu.br/analytica/article/view/5149
<p>A contemporaneidade é produzida pelas novas técnicas digitais, cujos representantes mais marcantes são as redes sociais e as inteligências artificiais. Essa nova fase industrial do capitalismo implica o condicionamento dos modos de subjetivação, dada a inseparabilidade entre tecnologia e existência humana. Este trabalho visa analisar uma leitura fatalista que concebe esta relação como a dominação dos indivíduos humanos pelas máquinas. A hipótese é de que há, nos sujeitos, caminhos para um desenvolvimento técnico além das noções de automatização como expoente do progresso. Se a última perspectiva é verdadeira, então uma certa contingência subjetiva pode modificar os sentidos da relação com os sistemas técnicos. Propõe-se que o corpo, tal como concebido pela psicanálise, abrigue o potencial para produções subjetivas e constitua uma saída para noções deterministas da técnica sobre os modos de vida. O corpo como abrigo da pulsão, representa o potencial contingente para atividades inventivas.</p>Luís Felipe Ferreira de Souza
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2026-09-162026-09-16152910.69751/arp.v15i29.5149A vivência da maternagem na psicose: possibilidades no campo da atenção psicossocial
http://www.seer.ufsj.edu.br/analytica/article/view/5492
<p class="p1">Com o intuito de compreender como a maternagem pode ser exercida na psicose, foi realizada uma revisão narrativa, de abordagem qualitativa, que contextualiza os marcos da história da loucura diante do cenário atual, mais especificamente no campo da atenção psicossocial. Apostando na radicalidade da palavra singular, discutem-se as possibilidades de um cuidado que leve em conta aspectos importantes de uma escuta ampliada, que podem facilitar que o psicótico invente recursos particulares para criar laço com o seu bebê. Desse modo, propomo-nos a desmistificar e discutir como um sujeito psicótico vive e exerce a maternagem em sua diferença, justificando-se pelo fato de encontrarmos certa escassez na literatura sobre a temática. Para isso, as contribuições de Winnicott e Lacan foram postas em diálogo, principalmente no que cerne às suas conceituações em comum a respeito da constituição subjetiva do ser e como o aporte desses autores pode colaborar para uma maior compreensão dessa vivência, proporcionando coordenadas para um desdobramento de trabalho em equipe no tratamento em saúde mental, especialmente devido ao marcante apagamento no cuidado desses cidadãos pelas políticas públicas, que necessita ser recuperado.</p>Ana Luíza Hallack de CastroBruno Quintino de Oliveira
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2026-09-162026-09-16152910.69751/arp.v15i29.5492Escutar estátuas: dispositivo clínico, memória e escuta territorial na Praça Marechal Deodoro
http://www.seer.ufsj.edu.br/analytica/article/view/5660
<p>Este artigo analisa a Praça Marechal Deodoro, localizada na região central da cidade de São Paulo, e seus monumentos em articulação com a escuta de sujeitos em situação de rua. O objetivo desta escrita é investigar como a memória e traumas coletivos inscritos nas estátuas reaparecem na experiência psíquica desses sujeitos. O método consistiu na criação de um dispositivo clínico de escuta territorial, realizado desde 2020 por psicólogos, estudantes e psicanalistas em formação em ações quinzenais na praça. A prática combina distribuição de doações com oferta de escuta, inspirada na associação livre e orientada pela noção de escuta territorial como investigação das formas de habitar o espaço urbano. Os resultados mostram que os monumentos condensam narrativas do passado escravocrata e que esse retorno traumático se atualiza na situação de rua, configurando um sintoma social passível de elaboração clínica.</p>Noam Rafael Kramer
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2026-09-172026-09-17152910.69751/arp.v15i29.5660Trauma, subjetividade e aparelho psíquico: uma leitura histórica, épica e psicanalítica
http://www.seer.ufsj.edu.br/analytica/article/view/5715
<p>Neste artigo, abordaremos as questões do trauma e da subjetividade em psicanálise para pensar, com o Lacan do Seminário XX, a proposta teórica de um artifício de nomeação próprio a cada pessoa em sua singularidade inalienável — a partir da fórmula do inconsciente como saber-fazer com alíngua, da noção de sinthoma como algo da ordem da invenção e da consideração do “pai” como um artifício performativo, pragmático e singular de nomeação, capaz de adquirir o status de uma função passível de pluralização e fazer o devido enfrentamento do desamparo de origem, em nome de uma necessária maioridade. Também analisaremos o modelo teórico do aparelho psíquico como “máquina de escritura” e a ideia de pulsão de morte como “mal de arquivo”, segundo a leitura filosófico-desconstrucionista que Derrida faz do Freud de Além do princípio do prazer. Nosso objetivo é confrontar essas duas propostas teóricas para investigar se são compatíveis com a possibilidade de uma saída épica para o sujeito, para além das possibilidades comumente dadas entre seguir sozinho no mundo — sob a égide de uma condição subjetiva de dor e angústia — e o refugiar-se no drama do apelo desesperado de proteção à figura do pai falho ou insuficiente. Faremos essa confrontação de forma introdutória — sem a intenção de esgotar o assunto — recorrendo à noção de criatividade, que perpassa, segundo o nosso entendimento, tanto a noção de alíngua em Lacan quanto a proposta da différance na escritura derridiana, instauradoras de um modelo de linguagem que tende a escapar aos cânones estruturalistas.</p>Roberto Lima Noronha
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2026-09-162026-09-16152910.69751/arp.v15i29.5715Coprodução de memória do racismo na conjugalidade inter-racial
http://www.seer.ufsj.edu.br/analytica/article/view/5759
<p>A história racial brasileira é constituída pelo silenciamento e negação da violência racial, gerando um trauma que se perpetua no campo social, subjetivo e relacional. Este artigo é um estudo teórico de metodologia bibliográfica que tem como objetivo discutir os conceitos freudianos de representação e de memória, lançando luz sobre a possibilidade de legitimação e produção de memória do racismo a partir da conjugalidade inter-racial branco-negro. Consideramos que a negação do racismo brasileiro por meio da construção do mito da democracia racial criou um desmentido social que perpetua o efeito traumático do racismo nas subjetividades, podendo ser transmitido intersubjetivamente no espaço da relação conjugal. Argumentamos que a possibilidade de dar lugar às questões raciais na conjugalidade inter-racial possibilita a elaboração desses conteúdos, evidenciando a função criativa e transformativa da conjugalidade. Assim, a relação conjugal inter-racial torna-se espaço de coprodução de memória sobre racismo e sobre experiências dolorosas ligadas à raça. </p>Clara Helena Alves de LimaAndrea Seixas MagalhãesMariana Gouvêa de Matos
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2026-09-162026-09-16152910.69751/arp.v15i29.5759Os gêneros plurais sob o polo da inspiração: caminhos traçados por Laplanche e sua Teoria da Sedução Generalizada
http://www.seer.ufsj.edu.br/analytica/article/view/5123
<p>O trabalho problematiza a binariedade de gênero à luz da Teoria da Sedução Generalizada (TSG), de Jean Laplanche, diante da crescente expressividade de identidades não binárias e dissidentes que tensionam a normatividade cis-hetero-binária. Argumenta-se que o gênero pode ser pensado como efeito das mensagens enigmáticas transmitidas ao infante pelo outro cuidador, em situação fundante e assimétrica, e posteriormente organizado pelos códigos mito-simbólicos. A abordagem consiste em uma pesquisa teórica em psicanálise, conduzida por reconstrução conceitual da TSG em diálogo com transformações culturais contemporâneas relativas ao gênero. Discute-se que os processos de aculturação não se restringem ao polo da repetição/sintoma, podendo operar também no polo da inspiração. Sustenta-se, por fim, que os discursos de gênero contemporâneos podem assumir a função de códigos simbolizantes alternativos ao código falocêntrico e binário, abrindo espaço para modos mais plurais de subjetivação e simbolização do Sexual.</p>Ivy Semiguem Freitas de Souza de CarvalhoMarina Ferreira da Rosa Ribeiro
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2026-09-162026-09-16152910.69751/arp.v15i29.5123O imaginário sonhador no retorno à infância: experiências do sonho e devaneio na dor e glória autoficcional almodovariana
http://www.seer.ufsj.edu.br/analytica/article/view/5432
<p>Neste breve artigo, venho propor considerações sobre a obra cinematográfica Dor e Glória (Dolor y Gloria, 2019), do diretor espanhol Pedro Almodóvar, tecendo o olhar psicanalítico sobre a autoficção, de modo a trazer alusões de conceitos da psicanálise e do cinema. Embora o filme seja autoficção, este texto não terá o diretor da obra como pretexto analítico. Haverá abordagens ao retorno à infância, relação mãe e filho, sonhos e devaneios do personagem que apresenta o seu mundo intimamente ligado ao passado e ao presente, nos olhos da câmera que desnudam a fragilidade de ser exposto ao público. Dessa forma, o texto propõe diálogos com Freud (1900), Rodrigues e Dunker (2012), Xavier (1983) e Metz (1980). Lembremos que, para Freud, o sonho é a realização de um desejo, e será por meio desse desejo que o sujeito será tomado pela redescoberta de si.</p>Deivid Nascimento de Carvalho
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2026-09-162026-09-16152910.69751/arp.v15i29.5432A mentira não sem a verdade
http://www.seer.ufsj.edu.br/analytica/article/view/5643
<p>As reflexões psicanalíticas sobre a verdade e a mentira articulam-se, neste artigo, com o lugar da mentira no discurso, ligado à questão da meia-verdade do sujeito em relação ao seu desejo. São destacadas as artimanhas da linguagem que colocam a mentira e a verdade como modos de funcionamento do inconsciente. É importante considerar como a compreensão da verdade como furo no dizer possibilita a leitura e a escuta não alienantes dos mecanismos da mentira tomados como verdade. A discussão teórica tem como base Freud e Lacan, bem como autores que abordaram o tema a partir dessas referências originais. Será feita alusão a objetos culturais que abordam a problemática da verdade e da mentira nas suas realizações.</p>Cirlana Rodrigues de Souza
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2026-09-162026-09-16152910.69751/arp.v15i29.5643O discurso do capitalista entre algoritmos e automatização
http://www.seer.ufsj.edu.br/analytica/article/view/5687
<p>Ao compreender a internet plataformizada como campo do avanço neoliberal, questiona-se o estatuto do objeto tecnológico, os algoritmos, à luz das perspectivas de Freud e Lacan. Busca-se investigar a ideia freudiana de um deus-protético que se justapõe à posição do sujeito na proposta lacaniana do discurso do capitalista. Interrogamos os autômatos e os ideais contemporâneos a partir do contexto tecnológico, pelo qual promovem uma nova razão autômata. Assim, o filme Metrópolis (Lang, 1927) orienta a discussão sobre a ordenação pela via do capital e sua relação com a ciência e auxilia os questionamentos referentes a essa articulação necessária ao campo tecnológico. Nesse sentido, a internet plataformizada é compreendida como veículo e suporte de uma razão que torna a objetalização, uma tentativa falaciosa de unificar sujeito e objeto, como um projeto subjetivo, ao sustentar os ideais pela identificação das massas e pela obediência à demanda forjada pelo algoritmo. Assim, compreende-se o discurso do capitalista como uma proposta, ao mesmo tempo, de automatização e de uma lógica antidiscursiva no campo da psicanálise. </p>Victoria KniestMarcos Vinicius Brunhari
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2026-09-172026-09-17152910.69751/arp.v15i29.5687Considerações acerca do narcisismo e suas articulações com o gozo na relação social capitalista
http://www.seer.ufsj.edu.br/analytica/article/view/5739
<p>Freud situou o narcisismo como um passo importante da constituição psíquica para a formação do Eu e suas identificações. Partindo dessas coordenadas, Lacan investigou a lógica especular, dando ênfase ao campo do olhar, e concluiu que a agressividade direcionada ao outro é correlata da gramática narcísica. Ambas as formulações evidenciam que, ao operar no sentido de instauração de um sujeito, a passagem narcísica da estruturação psíquica não exclui efeitos nas tramas da relação com o outro, o que interfere também na relação discursiva que organiza a polis. Partindo de experiências da escuta e do olhar, pesquisamos alguns elementos de nosso laço social contemporâneo a partir do recolhimento e registro de cenas da polis. No percurso metodológico da produção de narrativas escritas de cenas do cotidiano, mediado pela leitura-escuta em alteridade constituída pelo grupo de pesquisa (Iribarry, 2003), acabamos testemunhando insígnias do campo narcísico no laço social. Também nos confrontamos com a insistência significante dos restos da colonialidade que apontaram para o gozo racista que marca corpos racializados, promovendo a manutenção de estruturas de poder. Por fim, tais achados apontaram para o fato de que a instrumentalização social do gozo anda de mãos dadas com a instrumentalização social do ódio e da (in)diferença.</p>Gabriela Silveira ConteratoRoberto Henrique Amorim de Medeiros
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2026-09-162026-09-16152910.69751/arp.v15i29.5739O(a) docente como tradutor(a) e elástico: uma experiência sobre a transmissão da psicanálise na universidade
http://www.seer.ufsj.edu.br/analytica/article/view/5346
<p>Transmitir a psicanálise na universidade está em discussão desde seu primórdio. A educação e a psicanálise se encontram no axioma clássico freudiano: educar, governar e psicanalisar são profissões impossíveis. Assim sendo, este artigo tem como intuito refletir sobre a postura do(a) docente em sala de aula, no ensino da psicanálise na universidade, alicerçado em um relato de experiência de uma estagiária docente. A disciplina em que foi realizado o estágio tem como título “Constituição do Sujeito Psíquico” e pertence à graduação de psicologia de uma universidade no sul do Brasil. A metodologia do artigo é um relato de experiência narrativa fundamentada na investigação psicanalítica em forma de ensaio. A convergência entre experiência, práxis e teoria tecem este ensaio. Para isso, são retratadas duas posturas possíveis do(a) docente em relação à transmissão da psicanálise na universidade. Inicialmente, discute-se, com o auxílio de Walter Benjamin e Jacques Derrida, a metáfora do(a) docente como tradutor(a). Posteriormente, na segunda parte da discussão, pensa-se o(a) docente como elástico, para isso, utilizando como subsídio os principais autores: Paulo Freire e Sándor Ferenczi. Essas posturas surgiram como reflexo da experiência de estágio docente e mostram a construção de possíveis caminhos de transmissão da psicanálise na universidade no cenário contemporâneo. As posturas pensadas não são excludentes, pelo contrário, confluem. </p>Bibiana Massem Homercher
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2026-09-162026-09-16152910.69751/arp.v15i29.5346O vazio de domingo: entre a psicanálise, o abandono e o cinema
http://www.seer.ufsj.edu.br/analytica/article/view/5618
<p class="western" align="justify">O vazio de domingo é um filme espanhol dirigido por Ramón Salazar que aborda a relação entre uma mãe e a filha marcada pelo abandono materno. O presente trabalho busca realizar uma análise fílmica dessa obra pelo viés da óptica psicanalítica, dialogando com autores clássicos e contemporâneos, a fim de explorar a constituição psíquica nesse contexto e compreender as consequências do abandono materno na vida adulta. A análise do longa-metragem objetiva ilustrar o processo de interpretação do conteúdo clínico, trazendo o filme como paralelo às vinhetas clínicas. Conclui-se oferecendo uma interpretação que possibilita o entendimento e a ressignificação dos eventos retratados em O vazio de domingo, considerando também as implicações das condições de vazios psíquicos na contemporaneidade.</p>Vinícius Machado Pedrotti
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2026-09-162026-09-16152910.69751/arp.v15i29.5618O encontro analítico mediado por tecnologias digitais de informação e comunicação em meio à pandemia de covid-19
http://www.seer.ufsj.edu.br/analytica/article/view/5662
<p>Este artigo, resultado de uma pesquisa de mestrado em psicologia, reflete acerca dos atendimentos clínicos remotos, com foco na compreensão do setting/enquadre analítico a distância e no manejo do terapeuta diante das interferências causadas por elementos presentes no contexto do distanciamento social. A análise proposta se baseia em entrevistas feitas com psicólogos formados durante a pandemia de covid-19. A metodologia utilizada foi a clínico-qualitativa e a coleta dos dados se deu por meio de entrevistas semidirigidas, com posterior análise de conteúdo. A discussão integra contribuições de autores clássicos e contemporâneos da psicanálise que oferecem subsídios para a discussão sobre os fundamentos necessários para a ocorrência de um encontro analítico on-line. O texto destaca as especificidades e desafios do exercício clínico remoto, ressaltando as particularidades do setting/enquadre a distância e alguns manejos para adequar a escuta em diferentes situações. Como conclusão, a pesquisa atesta a viabilidade dos atendimentos clínicos a distância e aponta para a necessidade de sistematização atualizada da teoria da técnica a respeito dessa prática. Apesar de os participantes terem alegado ser intuitivo atender remotamente, este artigo aponta que o encontro analítico a distância requer atenção para determinadas especificidades, visando a uma condução ética dos processos psicoterapêuticos e psicanalíticos. </p>Bruno Bones Valdo da CostaIsabel Cristina Gomes
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2026-09-162026-09-16152910.69751/arp.v15i29.5662Comunistas e surrealistas: estudo sobre a recepção política da tese de Jacques Lacan
http://www.seer.ufsj.edu.br/analytica/article/view/5716
<p>A tese de doutoramento em medicina de Jacques Lacan, Da Psicose paranoica em suas relações com a personalidade, publicada em 1932, foi lida e comentada por integrantes dos movimentos comunista e surrealista antes de receber atenção dos campos médico e psicanalítico. Neste artigo, analisamos a recepção política da tese de Lacan no período de sua publicação, entre 1932 e 1933, composta de três textos: “Notes de lecture”, de Paul Nizan; “Compte rendu de lecture”, de Jean Bernier; e “Notes en vue d’une psycho-dialectique”, de René Crevel — todos de 1933. Constatamos que esses textos foram escritos da perspectiva do materialismo histórico e tenderam a ler as proposições lacanianas como uma espécie de crítica da ideologia nos campos do estudo científico da subjetividade. Nesse sentido, tentamos formular a hipótese de que a recepção política de sua tese teria sido parte dos fatores que influenciaram alguns dos encaminhamentos teóricos de Lacan, especialmente a elaboração de sua teoria da constituição imaginária do Eu.</p>José Guilherme Nogueira PassarinhoFúvia Fernandes Pereira Silvio José Benelli
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2026-09-162026-09-16152910.69751/arp.v15i29.5716Tragédia e desejo em Dois irmãos, de Milton Hatoum
http://www.seer.ufsj.edu.br/analytica/article/view/5760
<p>A partir da interlocução entre literatura, psicanálise e filosofia, propomos reflexões sobre como o romance Dois irmãos, de Milton Hatoum, e O nascimento da tragédia, de Nietzsche, apresentam ressonâncias com as ideias de Freud acerca do nascimento da cultura em O mal-estar na civilização. Objetivamos mostrar como essas obras de Hatoum e Nietzsche possibilitam pensar questões concernentes ao nascimento da cultura e da arte a partir do conflito irremediável entre lei e desejo, tal como preconizado por Freud em O mal-estar na cultura. Arte e psicanálise são ciências distintas, com objetos e metodologias diferentes; dessa forma, a obra de arte não é um analisando deitado no divã para ser interpretado pelo saber psicanalítico, pois ela é autônoma. Assim, entendemos que a forma de escutar um texto literário deve levar em consideração sua estrutura interna, o que Barthes (2012) traz como escuta do significante. O texto literário jamais pode ser entendido como objeto quantificável, justamente por estar ancorado na linguagem. O texto está situado no limite das regras da enunciação, como a legibilidade e racionalidade e sua ênfase deve ser dada ao signo, e não ao significado. É assim que Lacan (1965/2003) nos orienta que o trabalho com o significante é uma baliza de método quando o psicanalista se propõe a analisar o texto literário. Observamos que tal como Freud, Nietzsche e Hatoum nos apontam a impossibilidade de se pensar a subjetividade por meio de categorias estanques e dicotômicas como o bem e o mal, o belo e o feio, o certo e o errado. Essa discussão, ao mesmo tempo que resgata o conflito como condição irremediável para o nascimento da cultura, mostra-nos que a arte é uma saída plausível para tentar contorná-lo, sem jamais extingui-lo.</p>Alex Wagner Leal Magalhães
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2026-09-172026-09-17152910.69751/arp.v15i29.5760Psicanálise, decolonização e interseccionalidade: contribuições de Frantz Fanon
http://www.seer.ufsj.edu.br/analytica/article/view/5137
<p>A subjetividade é um elemento indispensável na perpetuação da lógica colonial. Não obstante, é no campo das ciências socais, e não da psicanálise, que encontramos o maior volume de trabalhos que interrogam as consequências da colonização sobre as subjetividades. É no enfrentamento dessa incongruência que nos aproximamos de Franz Fanon e, a partir dele, da categoria de interseccionalidade. A despeito de não figurar como conceito psicanalítico, compreendemos essa categoria como uma ferramenta que faz estreitar os laços entre a psicanálise e uma crítica colonial. O objetivo de nosso trabalho é demarcar como o paradigma interseccional pode funcionar em aliança com o discurso psicanalítico, ao indicar os limites das categorias abstratas no trato com as subjetividades. Ao mesmo tempo, esse paradigma instrumentaliza na direção da produção de uma sensibilidade que torna visível a alienação racial que a colonização impõe aos corpos. Destarte, o olhar decolonial desnaturaliza a incidência sistêmica da dominação, fazendo surgir a dimensão historicizada das formas de subjetivação. Assim, em um primeiro momento, destaca-se o embate entre Franz Fanon e Octave Mannoni, que, ao enfatizar a importância do sujeito e da subjetividade na crítica colonial, estabeleceram a psicanálise como um dispositivo relevante para a tarefa decolonial. No segundo momento, buscamos fazer avançar as considerações sobre a subjetividade e os esforços decoloniais. A colonização opera um corte no registro da existência, inaugurando a oposição entre seres existentes e aqueles tidos como semiexistentes. Finalmente, abordamos como a interseccionalidade pode tornar translucida a subjetividade, o sujeito inconsciente, constituído e marcado em suas condições de simbolização pela incidência diferencial do gênero, da raça e da classe.</p>Luciano DiasFernanda Canavêz
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2026-09-162026-09-16152910.69751/arp.v15i29.5137Violência e pulsão de morte: um estudo das vivências de infratores presos
http://www.seer.ufsj.edu.br/analytica/article/view/5483
<p>Na perspectiva psicanalítica, a violência pode ser compreendida como manifestação da pulsão de morte, articulada a conflitos intrapsíquicos e à destruição do objeto como forma de redução da tensão psíquica. O presente estudo teve como objetivo articular o conceito de pulsão de morte à vivência relatada por homens privados de liberdade que cometeram homicídio ou tentativa de homicídio, bem como compreender o fenômeno da violência a partir do referencial psicanalítico. Trata-se de uma pesquisa qualitativa, de caráter descritivo, realizada com 12 homens, entre 18 e 60 anos, privados de liberdade por homicídio ou tentativa de homicídio. A coleta de dados ocorreu por meio de entrevistas semiestruturadas, sendo os dados analisados mediante Análise de Conteúdo Temática. Foram identificados dois núcleos temáticos: “Comportamentos agressivo-violentos antes do crime” e “Homicídio: elementos psicanalíticos”. Os resultados indicaram que os participantes compreenderam o ato criminoso como um momento marcado pelo descontrole emocional, pela impulsividade e pela ausência de reflexão consciente acerca dos próprios atos, frequentemente associado à ira intensa. Evidenciaram-se, ainda, sentimentos posteriores de culpa e arrependimento, além de relações entre violência, sofrimento psíquico e pulsão de morte. Conclui-se que a violência pode operar, inconscientemente, como forma de descarga de tensão psíquica e tentativa de redução do desprazer.</p>Daniel German Ramos GastaldiElisângela Maria Machado Pratta
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2026-09-162026-09-16152910.69751/arp.v15i29.5483O normal e o patológico: pulsão e anomia na biologia de Freud e Canguilhem
http://www.seer.ufsj.edu.br/analytica/article/view/5656
<p>Este artigo desenvolve uma análise teórico-conceitual acerca das noções de normal e patológico em Sigmund Freud e Georges Canguilhem. Investigamos de que modo as ciências biológicas, presentes nas obras desses dois autores, permitem ler e interpretar tais noções. A interpretação das identidades anatomopatológica e fisiopatológica possibilitou compreender as dimensões da psicopatologia a partir de diferenças quantitativas, que pressupõem certa inércia da normatividade baseada em um realismo anatômico. Para Freud, essa leitura foi incorporada, sobretudo, pela influência da psicofísica de Fechner e da biologia mecanicista de sua época. Embora o psicanalista inicialmente se apoie nessa perspectiva, observa-se, posteriormente, um deslocamento para uma biologia de cunho evolucionista. Na realidade, ao recuperar a biologia evolucionista em Freud, buscamos fazê-lo por meio do diálogo com a biologia vitalista de Canguilhem, o que nos permite distanciar do realismo anatômico. A partir de uma revisão crítica e interpretativa das noções de biologia mecanicista e evolucionista na obra de Freud, bem como da noção de biologia vitalista em Canguilhem, propõe-se, como objetivo central deste artigo, uma reflexão sobre a interpretação das noções de anomia e pulsão, de modo a superar a rigidez anatômica e fisiológica tradicional e a reinterpretar as noções de normal e patológico. Concluímos que, por meio da interpretação vitalista da biologia em Canguilhem, a pulsão de morte permite pressupor a mobilidade normativa do normal e do patológico. </p>André Fernando Gil Alcon Cabral
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2026-09-162026-09-16152910.69751/arp.v15i29.5656Desdobramentos da carta/letra e seu efeito de feminização em Jacques Lacan
http://www.seer.ufsj.edu.br/analytica/article/view/5701
<p>O presente artigo tem como objetivo compor considerações acerca da construção do conceito da letra durante o ensino lacaniano. A partir de O seminário da carta roubada e Lituraterra, foram tecidas perspectivas que ilustram ao leitor os momentos no qual Lacan se esforça para desenvolver a noção de letra e como esta se diferencia, a partir de uma função, do significante. Diante da complexidade do tema, recorremos à música, uma vez que a arte, muito antes de Lacan surgir como um expoente nome na teoria psicanalítica, usa da letra para a produção de um efeito nomeado posteriormente de feminizante pelo psicanalista. Por fim, abordamos esse efeito que, para um leitor desatento, poderia passar despercebido em meio a outras relações entre a psicanálise e a escrita. Quando a carta opera não pelo sentido, mas pela opacidade do seu conteúdo nunca revelado, os sujeitos que a detêm são deslocados a uma posição não-toda, de silêncio. Tal efeito de feminização não se reduz ao feminino como atributo cultural, todavia refere-se ao modo como a letra produz um efeito de indeterminação e aproxima o sujeito de um gozo que escapa a qualquer captura de sentido.</p>Guilherme Braga BarrosSimone RavizziniPedro Lemos Landeiro
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2026-09-172026-09-17152910.69751/arp.v15i29.5701As manifestações agressivas ligadas às pulsões sexuais na primeira dualidade pulsional freudiana
http://www.seer.ufsj.edu.br/analytica/article/view/5757
<p>Este artigo investiga as manifestações agressivas e hostis vinculadas às pulsões sexuais na primeira dualidade pulsional freudiana (1900–1920), período que antecede a reformulação teórica apresentada em Além do princípio do prazer (1920/2020). A metodologia adotada consiste predominantemente na análise estrutural de textos, com o objetivo de circunscrever o desenvolvimento interno dos conceitos ao longo das obras freudianas. A partir desse procedimento, são examinados os seguintes fenômenos: complexo de Édipo, pulsão de apoderamento, fases oral, fase sádico-anal, ambivalência afetiva, sadismo, masoquismo e fantasias de surra. A investigação concentra tanto na evolução conceitual quanto nas inconsistências teóricas identificadas. A análise evidencia que, entre 1910 e 1914, Freud ampliou significativamente suas hipóteses sobre a agressividade com a introdução da teoria do narcisismo, ao sustentar que as pulsões sexuais se apoiam nas pulsões do Eu para se desenvolver, durante a fase narcísica, dando origem a impulsos hostis e agressivos na sexualidade sem a presença de desprazer. Contudo, identificam-se limitações explicativas relevantes: a impossibilidade de conciliar o sadismo com a fase narcísica, uma vez que comportamentos sádicos se dirigem desde o início ao mundo externo; a ausência, no sadismo infantil, do objetivo de causar dor, característica central da perversão sádica adulta; e a dificuldade de compreender os desejos parricidas e homicidas presentes na ambivalência afetiva apenas com base nas pulsões do Eu, uma vez que tais desejos ultrapassam a lógica da autopreservação. Essas inconsistências indicam que a primeira dualidade pulsional permite compreender a agressividade apenas quando articulada ao erotismo, ao princípio de prazer ou à autopreservação, revelando-se insuficiente para concebê-la como um fenômeno autônomo e apontando, assim, para a necessidade da reformulação teórica posterior.</p>Fabricio de Siqueira GoncalvesFátima Siqueira Caropreso
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2026-09-162026-09-16152910.69751/arp.v15i29.5757Casa-instituição: estudo de caso de um adolescente com passagens no sistema socioeducativo
http://www.seer.ufsj.edu.br/analytica/article/view/4432
<p>Este artigo bordeja o recorte da pesquisa de mestrado realizada com a família um de adolescente autor de ato infracional. O arcabouço teórico-metodológico psicanalítico foi convocado como instrumento de intervenção e análise do caso. O objetivo traçado foi o de analisar a repetição do ato infracional como um dos operadores da dinâmica familiar. Foram realizadas entrevistas com o adolescente dentro e fora da Unidade de Medidas Socioeducativas, além daquelas realizadas com seu pai, mãe e padrasto e dos contatos com a rede institucional. As interpretações sobre o caso analisado apontam como a casa da família tornou-se lugar de passagens, ao passo que a casa-instituição permaneceu como único lugar de amparo para alguns de seus membros. O estudo sinaliza, ainda, a fragilidade das políticas públicas destinadas aos sujeitos que, após cumprirem medidas socioeducativas, encontram-se radicalmente desamparados. O paradigma de testemunho é trazido como forma de resistência diante dos desmanches sociopolíticos contemporâneos que acirram o mal-estar civilizatório.</p>Giovana Leão Caixeta TeixeiraAnamaria Silva NevesBruno Castro Ribeiro
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2026-09-172026-09-17152910.69751/arp.v15i29.4432As sequelas psíquicas da escravatura, o gozo superegoico e seu retorno na cultura
http://www.seer.ufsj.edu.br/analytica/article/view/5424
<p>O artigo parte do pressuposto das sequelas psíquicas da escravatura para explicar sua transmissão geracional, que acontece via discurso do Outro e nos chega por meio do casal parental. Nossas memórias individuais, fruto da memória social, são compostas por narrativas impregnadas do mito negro, em cujo núcleo encontram-se os resquícios da escravatura. Na vida psíquica do sujeito, pode ocorrer a negação do traço negro, devido à interpretação que ele faz do que é admirável na nossa cultura: o branco. O estudo foi composto por revisão bibliográfica e análise de casos divulgados na mídia. As sequelas são: inferioridade pessoal, discriminação por cor, divisão comunitária e liderança. As memórias manipuladas para a manutenção dos privilégios da branquitude corroboram a negação do traço, uma vez que a pessoa se aliena pelo discurso do Outro. O traço negro pode ser percebido como desagradável e projetado como hostil na cultura, o que faz com que a hostilidade seja direcionada, também, para o próprio sujeito detentor do traço negro. Esse é um terreno fértil para a atuação superegoica e seu gozo desmedido, manifestando-se em atos, palavras ou apoio à destruição da negritude.</p>Marcela de Souza RochaFrancisco Ramos de FariasNilda Martins Sirelli
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2026-09-172026-09-17152910.69751/arp.v15i29.5424Tinta de sangue em fleuma de papel: uma revisão psicanalítica sobre o uso catártico da poesia confessional pós-Segunda Guerra Mundial
http://www.seer.ufsj.edu.br/analytica/article/view/5624
<p>O objetivo geral deste trabalho foi buscar analisar, pelo viés psicanalítico da sublimação, como o gênero literário da poesia confessional apresentou-se no cenário do fim da década de 1950, investigando a narrativa poética contida no limiar entre o eu autor e o eu lírico, os contextos psicossociais que circundaram a criação das suas obras e de como eles manifestaram-se nessas produções mediante artifícios linguísticos, promovendo catarse do conteúdo traumático. Para tanto, realizou-se revisão narrativa da literatura nas bases de dados digitais Periódicos Capes e SciELO e de material físico (artigos, revistas etc.), em conjunto à análise psicocrítica da obra Ariel (1965), da poeta confessionalista Sylvia Plath, integrando a poesia confessional, a psicanálise e a psicocrítica literária com o panorama operacional criativo no Zeitgeist do pós-guerra. Concluiu-se que houve de fato uma concepção poética por meio da sublimação do material traumático vivencial da escritora, a partir do uso de significantes explícitos e implícitos relacionados às Duas Grandes Guerras — interconectando a contextura psicossocial da sua época à barbárie desse imaginário marcial. Todavia, constatou-se a necessidade de mais pesquisas para ampliar a perspectiva sobre quais mecanismos alternativos e aparatos específicos foram tomados por outros confessionalistas para lidar com o impacto sondado.</p>Halinson José de Souza Santos JúniorGuaíra Moreira Camilo de Melo Dutra
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2026-09-172026-09-17152910.69751/arp.v15i29.5624Entre uma casa cheia e a solidão do dormir: a prática do acalanto com crianças e adolescentes em acolhimento institucional
http://www.seer.ufsj.edu.br/analytica/article/view/5677
<p>O artigo propõe reflexões sobre a prática do acalanto com crianças em acolhimento institucional. A música e sua relação com o dormir são eixo central na proposta de intervenção, que segue orientação teórica psicanalítica. O texto também aborda questões subjetivas e relacionais nas práticas de cuidado em ambientes institucionais. Os resultados se apresentam como efeitos subjetivos do acolhimento institucional em crianças e adolescentes, percepções das relações de cuidado nesses espaços institucionais e as contribuições da prática. Da análise dessas questões, identificou-se o acalanto como um potente elemento não só para os processos de preparação para o dormir, mas também para a elaboração do trauma da separação no contexto do acolhimento institucional. </p>Raul Oliveira JungMilena da Rosa SilvaAndrea Gabriela Ferrari
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2026-09-172026-09-17152910.69751/arp.v15i29.5677Psicanálise e saberes não hegemônicos: clínica de multidões de minorias a partir de escutas situadas
http://www.seer.ufsj.edu.br/analytica/article/view/5725
<p>Decorrente da importância de um espaço de escuta e terapêutico que não seja violento e segregador, objetiva-se empreender encontros e diálogos teóricos com uma prática clínica implicada na e perpassada pela interseccionalidade a partir da articulação entre psicanálise e saberes não hegemônicos, tais como os decoloniais, queer e feministas. Para tanto, desenvolveu-se uma proposta teórica que considerou a posição do psicanalista em seu trabalho de escuta de identidades socialmente subalternizadas. Parte-se do pressuposto de que uma prática clínica no âmbito da saúde mental deve assumir os marcadores sociais de gênero, raça, classe, entre outros, no que tange à interlocução do campo com a perspectiva interseccional. Dessa forma, o artigo contribui para o campo psicanalítico ao articular a escuta clínica e os saberes não hegemônicos como proposta para sustentar uma escuta ético-política que permite à psicanálise situar-se em relação às dimensões sociais do sofrimento psíquico. Ademais, conclui-se que a articulação entre psicanálise e saberes não hegemônicos pode ser uma saída para posicionar-se a partir de uma escuta situada, especialmente no trabalho clínico com multidões de minorias, pois tal articulação pode vir a auxiliar a compreender os respectivos contextos sociais causadores de sofrimento psíquico.</p>Lorena Lopes de Freitas DiasEvandro de Quadros Cherer
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2026-09-172026-09-17152910.69751/arp.v15i29.5725Mal-estar, identitarismo e capital: qual a função do psicanalista no laço social?
http://www.seer.ufsj.edu.br/analytica/article/view/5766
<p>Este artigo visa discutir a função do psicanalista diante dos impasses contemporâneos explorados pelos movimentos identitários. Partindo de cenas atuais, articula-se o conceito freudiano de mal-estar à teoria dos discursos de Lacan. Utiliza-se como metodologia a pesquisa psicanalítica articulando clínica, teoria e cultura, por meio do diálogo entre psicanálise, filosofia e os estudos decoloniais. Depura-se, desse movimento, que o recurso à teoria dos quatro discursos, somado ao discurso do capitalista, ofertou um ponto de apoio que possibilitou interrogar as razões que encaminham parte do debate progressista, marcadamente aquele sustentado pelos movimentos identitários, a uma alienação em relação ao risco de estes propagarem aquilo que objetivam combater. Ao afirmar o lugar ético da escuta e da divisão subjetiva, defende-se uma prática que resista à captura mercadológica da diferença e à reificação das identidades, posicionando a psicanálise como dispositivo de subversão e de reinvenção do laço social.</p>Enzo PizzimentiGleiciene Gomes de Araujo
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2026-09-162026-09-16152910.69751/arp.v15i29.5766