A operação antifilosófica da teoria do significante em Lacan
DOI:
https://doi.org/10.69751/arp.v14i27.5606Resumo
O presente artigo aborda a teoria do significante, tal como articulada por Lacan, em conjunto com os aspectos filosóficos que sua proposta levanta. Nossa tese é que há uma operação antifilosófica presente na assimilação do conceito de significante em Lacan. Propomos, como argumento central, que alcançar a radicalidade dessa assimilação requer uma crítica a determinadas posições históricas da filosofia, concernente particularmente à tradição metafísica. Para tanto, inicialmente, no artigo apresentamos a questão da antifilosofia em Lacan, tendo como fundamento o trabalho do filósofo Alain Badiou como guia nessas tomadas de posição em relação à filosofia. Com essa apresentação, desejamos levantar os aspectos que se referem às consequências epistemológicas do significante e as questões provocadas pela antifilosofia lacaniana. Como objetivo, a partir dessa leitura, percorremos a construção histórica da concepção lacaniana de significante e realizamos um debate entre antifilosofia e temas centrais, como o sentido, o inconsciente, a metáfora e a metonímia. Ao final, estabelecemos que a relação entre filosofia e psicanálise, na via antifilosófica, não sinaliza simplesmente uma crítica ou rejeição ao filosófico, mas a possibilidade de uma razão ou verdade que aceita a determinação significante.